Capítulo 2 –
No caminho da sala para dar a
primeira aula, a Professora Sol e o Professor Isaque conversam sobre o que
fizeram nesse período de 10 anos em que não se viram:
- Eu me formei em São Paulo, mais
conclui o ensino médio todo em Lisboa, foram tempos difíceis, não consegui me
adaptar, e quando eu me adaptava mudava de cidade, depois de lá passei um ano
dando aula no Rio, até que resolvi voltar de uma vez por todas, e não pretendo
ir embora.
- Que bom...quer dizer, você
finalmente encontrou o seu lugar.
- E você, o que fez durante esse
tempo?
- Eu fiquei noivo de uma mulher,
a 2 anos atrás nos separamos, nessa época eu morava em Salvador, foi uma
separação complicada, logo que voltei para Céu Aberto fui contratado pelo
Colégio – e olhando para o relógio se lembra – tenho uma aula agora no 2° ano.
- E eu no primeiro. - Os dois
foram correndo dar aula, e Sol conhece a sua primeira turma – bom dia a todos e
todas.
- Bom dia – disseram alguns
desanimados.
- Ainda estão com sono – repara ela
– bom, eu sou Sol, sua nova Professora de português, espero que tenhamos uma
boa comunicação, e é isso que a linguagem...
Ela e todos os professores são
interrompidos por um barulho estrondoso, era Iara, filha do Diretor Wilson:
Presta atenção,
No que eu tenho pra dizer!
Presta atenção, no que eu tenho pra falar!
Se você fala e eu não me interesso,
Não quer dizer que eu não presto.
Se você fala e eu não escuto,
Não quer dizer que eu te odeio.
Fale mais!
Do que eu me interesso.
Fale mais!
Do que eu quero ouvir.
Quem sabe assim eu presto atenção,
Então fale mais, pra mim!
Presta atenção,
O meu ouvido não é pinico.
Presta atenção,
Com sua boca de latrina.
Não sou obrigada a ouvir besteira,
Então fale direito comigo!
Se você fala e eu não me interesso,
Não quer dizer que eu não presto.
Se você fala e eu não escuto,
Não quer dizer que eu te odeio.
Fale mais!
Do que eu me interesso.
Fale mais!
Do que eu quero ouvir.
Quem sabe assim eu presto atenção,
Então fale mais, pra mim!
Oh!OH!Oh!
Fale mais!
Do que eu me interesso.
Fale mais!
Do que eu quero ouvir.
Quem sabe assim eu presto atenção,
Então fale mais, pra mim!
Os alunos todos saíram da sala de
aula para ver a garota cantando no trio, o Diretor saiu do seu escritório e
subiu no veículo para tirar a sua filha de lá:
- No que você está pensando, quer
me fazer passar vergonha?
- Que vergonha o quê pai? Está
todo mundo me aplaudindo!
- Essa sua historinha de banda de
rock acaba hoje, só sairá de casa pra vir pra escola entendeu bem?
E levou ela pra sala de aula, lá
a Professora Sol elogiou:
- Baita voz você tem, se usar ela
no momento certo será muito bom.
- Eu não preciso de conselhos
seus, é Professora ou coaching?
- Só fiz um elogio, bem se vocês
querem aula, terão aula de português, peguem seus livros na página 3.
No intervalo, enquanto todos os
meninos tentam paquerar Iara, um rapaz não tira o olho de uma tal Manuela, uma
menina rica que só anda com seu grupo de garotas, ele tenta puxar assunto:
- Poxa, essa tal de Iara canta
pra caramba não é?
- Acho esse estilo de música
horrível, o jeito dela se vestir é muito estranho e sem requinte.
- Você sabe cantar?
- Não preciso revelar meus
talentos pra ninguém.
- Lá no barzinho do meu Pai tem
um karaokê, poderia ir lá esse sábado.
- Olha pra minha cara, eu pareço
frequentar barzinho sábado a noite? – e se despede de forma ríspida – dá licença.
André vê o rapaz se atrapalhando
e tenta ajudar:
- Tu é afim dessa patricinha?
- Não fala assim dela cara.
- Vou te ajudar com ela cara,
qual o seu nome?
- Sou Tadeu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário