quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Litoral - Capítulo 5

 


Capítulo 5 –

No final do dia, na sala de Professores, a Professora Tânia de Artes vê a cara de preocupação de Sol e pergunta:

- O que houve? Você parecia tão animada ontem.

- Nunca pensei que alguns alunos fossem tão difíceis.

- Você não vai agradar a todos minha jovem, alguns alunos vão se dedicar e outros não vão querer ter compromisso, quem pode aprova-los até o final do ano é você, só faça a sua parte – e lembra – teve um ano que eu e a antiga professora de português fizemos um concurso, misturar arte com literatura, os alunos formavam equipes, uns faziam poesia, outros cantavam e alguns encenavam.

- Que tal fazermos isso de novo?

- Não sei, o Diretor disse que o Colégio está cortando custos.

- Podemos fazer para toda Céu Aberto, na praça da cidade, cobrar ingresso ou vender lanches pra custear o evento.

- Hoje mesmo vamos colocar tudo no papel e amanhã apresentamos a ideia ao Diretor Wilson.

O Professor de Matemática Honório ouve a conversa e discorda:

- Acho isso tudo uma balela, eu no lugar do Diretor rejeitava esse projeto, aluno tem que por a cara nos livros e pronto.

- Não discordo em partes, mas esses eventos ajudam a convivência entre eles, e vai despertar o interesse deles nas duas matérias. – opina Sol.

No dia seguinte as duas apresentam o projeto ao Diretor Wilson que acorda:

- Esse projeto vai sair do bolso de vocês, só usaram o nome da escola, porém não darei nenhum centavo!

- De acordo – diz Sol.

No pátio, Iara vê um menino lendo uma revista e se interessa por ele:

- Que tal sairmos essa tarde para bater um papo?

- Só se for pra saber que maquiagem você usa querida.

- Não entendi.

- Eu sou do mesmo time que você amada, não reparou?

- Ah sim, tudo bem, seja feliz, qual seu nome?

- Denis Berto.

Alguns dias depois, André e Tadeu se encontram a noite em frente a casa de Manuela:

- E aí cara, trouxe a partitura da música?

- Trouxe sim, será que ela vai gostar?

- Se você não tentar nunca vai saber.

Eles colocam os banquinhos na calçada, André pega o violão e Tadeu canta:

O que fazer,

Quando nada muda,

E o sentimento,

Permanece?

O que fazer,

Quando tudo continua,

Mesmo depois,

Da decepção?

Nada vai mudar,

Ainda te amo!

Com tudo fora do lugar,

Ainda te amo!

Mesmo com a rejeição,

E o desprezo,

Sei que sempre te amarei!

O que fazer,

Quando não se tem,

Reciprocidade?

O que fazer,

Quando os olhares,

Não se cruzam?

Nada vai mudar,

Ainda te amo!

Com tudo fora do lugar,

Ainda te amo!

Mesmo com a rejeição,

E o desprezo,

Sei que sempre te amarei!

E se amanhã por acaso,

você se interessar em mim

Estarei a postos,

A todo momento,

A te esperar!

Nada vai mudar,

Ainda te amo!

Com tudo fora do lugar,

Ainda te amo!

Mesmo com a rejeição,

E o desprezo,

Sei que sempre te amarei!

Ela aparece na janela com um dúzia de ovos e joga na cabeça dos dois:

- Saiam daqui, estou ocupada vendo o filme, vão catar na pracinha pra vê se alguém dá alguma esmola!

- Deu tudo errado cara – diz Tadeu aos prantos.

- Ao menos ela ouviu e sabe do que você sente, mas não fica assim não cara, tem muitas meninas bonitas no Colégio Amanhecer.

- Eu não vou desistir dela.

- O coração é seu, você sofre se você quiser, eu já fiz minha parte.

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